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Farrapos: Jogos do Destino? #3

Confiram a última parte do artigo "Farrapos: Jogos do Destino?' escrito pelo Professor Matheus Viccola para homenagear o aniversário do nosso EP Plays Of Destiny!


Se você ainda não leu o início desse artigo clique aqui.


Foto: Andressa Lé e Nan Marconato


Farrapos: Jogos do Destino? (parte 3)


Por Matheus Guilherme Viccola

(...)

O primeiro contato de Garibaldi com Bento se deu na prisão de Guanabara/RJ, quando o italiano, em visita a um dos líderes dos Farrapos, recebeu apoio e recomendação do gaúcho para somar-se a revolta. Seus atos de abnegação e verdadeira entrega a luta (há registros de que Garibaldi chegou ao ponto de construir barcos de guerra e transportá-los puxados por carros de boi pelo interior, já que Piratini não tinha acesso a portos), além, é claro, da união e participação da jovem Anita nos combates, fez com que uma aura lendária envolvesse os personagens e os introduzisse para sempre no imaginário popular. O próprio Garibaldi deixaria registrado sua participação na guerra:

“Eu vi corpos de tropas mais numerosas, batalhas mais disputadas, mas nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, nem cavaleiros mais brilhantes que os da bela cavalaria rio-grandense, em cujas fileiras aprendi a desprezar o perigo e combater dignamente pela causa sagrada das nações” (História do Rio Grande do Sul, Fidélis Dalcin Barbosa, p. 126).

Tantos outros fatos envolvem a história dessa Guerra, alguns cômicos – como a fuga da prisão de Bento Gonçalves a nado até um barco de pescadores (10 de setembro de 1837); outros vitoriosos – como a tomada de algumas cidades de Santa Catarina e a Proclamação da República Juliana (14 de julho de 1839); e, outros trágicos e vergonhosos – como o Massacre de Porongos, a última batalha dos Farroupilhas (14 de novembro de 1844), no qual há indícios de que cerca de 100 lanceiros negros foram mortos devido a um “relaxamento” nas tropas a mando do General David Canabarro (um dos líderes farroupilhas que temia que em determinado momento esses escravizados exigissem sua liberdade por terem lutado a favor dos farrapos). E, por conta dessas várias facetas, muitas dessas histórias foram narradas em prosa e verso, na televisão (em minisséries como A Casa das Sete Mulheres, 2003 e O Tempo e o Vento, 1985), no teatro e referenciadas em músicas.


O conflito só chegou ao fim de fato, quando um acordo de paz (chamado de Tratado de Poncho Verde) foi assinado em 1º de maio de 1845, entre o General Canabarro e Duque de Caxias.


Será que foi assim que chegou ao fim o sonho dos Farroupilhas? Não exatamente. A semente da república fora lançada e alguns acordos foram estabelecidos: vantagens políticas ao seu favor (direito de nomear seus próprios representantes na província, anistia aos seus soldados presos e responsabilização do Império pelas dívidas de tributos entre outras). E, quanto ao Império de Dom Pedro II? Ah, esse ficou com a fama da vitória militar, o que de fato importava (e muito!) para o fortalecimento de um reinado que estava apenas começando.


Afinal, o que fica dessa guerra? Seus heróis? Vidas e juventudes que se foram? Ou, a simples reflexão de até onde devemos ir (ou podemos ir) para imprimir no mundo aquilo que acreditamos.

“All my thoughts are about / Just believing in / Just beliefs and beliefs. / Todos os meus pensamentos são sobre / Apenas acreditar em / Apenas crenças e convicções.” (Plays Of Destiny, banda ANFEAR)


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REFERÊNCIAS

HOLLANDA, S. B. (Org.). História Geral da Civilização Brasileira – II. O Brasil Monárquico – dispersão e unidade – Volume IV. 8ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004. Livro V. Cap. 2. p. 487 a 505.


NETO, M. S. B. Grandes Personagens da Nossa História. São Paulo: Abril Cultural, 1971. Volume II. p. 397 a 412.


BARBOSA, F.D. História do Rio Grande do Sul. Passo Fundo: Projeto Passo Fundo, 2013. Cap. 27 Revolução Farroupilha. p. 103 a 132.


GOMES, L. 1889: como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da monarquia e a proclamação da república no Brasil. São Paulo: Globo, ed. 1ª, 2013. Reimpressão 6ª, 2015. Cap. 23 Paixão e Morte. p. 357 a 369.

ARQUIVO Público do Estado do Rio Grande do Sul. Disponível em < www.apers.rs.gov.br >. Acesso em 13.abr.2020.


PLAYS OF DESTINY. Compositor: Andressa Lé, Renan Marconato in: Banda Anfear. Disponível em < https://m.letras.mus.br/anfear/plays-ofdestiny/traducao.html?fbclid=IwAR3lwjclrZQD

BTWd0WeAKHMCmUTDfbGueL9tbxv6G5Xw5JW6FTJL9L1lu8 >. Acesso em 18.abr.2020.



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Matheus Viccola

É licenciado em História, com pós-graduação pela PUC-SP, professor na rede pública (Estadual e Municipal) de São Paulo, apaixonado por História e rock n’ roll. Eterno estudante de guitarra e, nas horas vagas, curte fazer uns bons covers com seus camaradas na Banda do Johnny.



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Acompanhem nossa comemoração durante esse mês de julho e se você ainda não assistiu aos bastidores do nosso primeiro show da história, veja o lançamento do EP PLAYS OF DESTINY, na Fábrica de Cultura do Belém:




#StayHeavy e #GoAnfear


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