Farrapos: Jogos do Destino? #1


Dia 13 de julho além de ser o Dia Mundial do Rock é também o aniversário do nosso primeiro EP Plays Of Destiny! Lançado em 2016, tem como faixa tema a canção "Plays Of Destiny" ambientada na Guerra dos Farrapos. E vocês já conhecem a história dessa guerra que durou 10 anos? Nós convidamos o professor Matheus Viccola para contar os causos dessa guerra durante esse mês de julho! Confiram:


Arte: Nan Marconato



Farrapos: Jogos do Destino?


Por Matheus Guilherme Viccola

Quando se fala de guerras, conflitos civis que envolvem milhares ou milhões de mortos e feridos, logo pensamos em situações que criam heróis e vilões, de lados distintos, cada um carregando sua parcela de verdade. Isso se repete constantemente na História (e quando se trata dela, não há uma só verdade!). Será que com a Guerra dos Farrapos (ocorrida entre os anos de 1835 – 1845) foi diferente?


Aqueles que foram apresentados como heróis, muitas vezes também fizeram papel de vilão. E, de alguma maneira, isso faz muito sentido, já que quando tratamos das relações humanas existe uma gama gigantesca de fatos e sentimentos envolvidos, como: jogos políticos, guerra de influências e interesses próprios que, por vezes, se sobressaem aos da maioria.


A música Plays of Destiny (Jogos do Destino), da Banda Anfear, aborda essas temáticas de forma primorosa: questionam os rumos de uma guerra, os heróis que surgem como deuses e inspiram guerreiros com mil sonhos em busca da tão sonhada liberdade, os amores perdidos e aqueles que sequer se concretizaram. Toda essa temática é comum quando estudamos as inúmeras guerras e revoluções que aconteceram no passado de nossa História.


Com os Farrapos, não foi diferente: a elite da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, descontente com as abusivas cobranças de impostos feitas sobre todo o resultado de sua produção e exportação (charque, couro, sebo, graxa, erva-mate, etc.), exigidas pelo Governo Regencial (1830 – 1840) e, posteriormente pelo império de Dom Pedro II (1840), decide afrontar as decisões das autoridades e buscar autonomia de seu território.


Muito tempo antes de estourar o conflito, na década de 1820, Luís Gonçalves das Chagas (futuro Barão de Candiota), deixou expresso esse descontentamento por meio desse registro:

“Não podemos deixar de ponderar quanto são onerosos nossos impostos, particularmente sobre nossos gêneros de Exportação. Os couros vaccuns navegados para Portos do Brasil (quando se destinão os Couros a Portos Estrangeiros, pagão mais impostos além do Quinto) pagão de cinco hum: nada mais odioso, nada mais extraordinário neste gênero” (Sérgio Buarque de Hollanda, “História Geral da Civilização Brasileira”, p. 500 vol. 4).


Se recordarmos as aulas de História, perceberemos que é evidente que quando se trata de questões de economia, tanto ricos quanto pobres são afetados (sendo estes últimos possivelmente os mais prejudicados). Junto a todas essas questões econômicas, havia um desejo borbulhante por boa parte dessa elite, de ver o país livre das amarras da monarquia. O Brasil era o único país da América Latina que após sua independência em 1822, continuava sendo governado por um rei, já que os ideais liberais – maior autonomia econômica e governamental – seduzia a favorecia muito mais os negócios dos grandes fazendeiros e estancieiros gaúchos. É com esse sentimento cada vez maior de descontentamento, aliado a uma intensa influência dos poderosos sobre a população rio grandense, que surge a oportunidade de fortalecer os ideais de liberdade e de heroísmo, de crença em convicções (muitas vezes imbuídas por aqueles que tinham muito mais interesse em aproveitar-se da população do que em favorecê-la); e, por fim, entranhar em seus guerreiros a necessidade de cumprir com um destino inevitável: a declaração de uma guerra.


“A hero, a scar / A warrior with a Thousand dreams / I Always wanted to be / All my thoughts are about / Making my people free / Just set me free. / Um herói, uma cicatriz / Um guerreiro com mil sonhos / Eu sempre quis ser / Todos os meus pensamentos são sobre / São sobre como libertar meu povo / Apenas liberte-me." (Plays Of Destiny, banda ANFEAR)


Foto: Andressa Lé e Nan Marconato


(...) CONTINUA. Fiquem ligados nas próximas publicações!



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REFERÊNCIAS


HOLLANDA, S. B. (Org.). História Geral da Civilização Brasileira – II. O Brasil Monárquico – dispersão e unidade – Volume IV. 8ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004. Livro V. Cap. 2. p. 487 a 505.


NETO, M. S. B. Grandes Personagens da Nossa História. São Paulo: Abril Cultural, 1971. Volume II. p. 397 a 412.


BARBOSA, F.D. História do Rio Grande do Sul. Passo Fundo: Projeto Passo Fundo, 2013. Cap. 27 Revolução Farroupilha. p. 103 a 132.


GOMES, L. 1889: como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da monarquia e a proclamação da república no Brasil. São Paulo: Globo, ed. 1ª, 2013. Reimpressão 6ª, 2015. Cap. 23 Paixão e Morte. p. 357 a 369.

ARQUIVO Público do Estado do Rio Grande do Sul. Disponível em < www.apers.rs.gov.br >. Acesso em 13.abr.2020.

PLAYS OF DESTINY. Compositor: Andressa Lé, Renan Marconato in: Banda Anfear. Disponível em < https://m.letras.mus.br/anfear/plays-ofdestiny/traducao.html?fbclid=IwAR3lwjclrZQD

BTWd0WeAKHMCmUTDfbGueL9tbxv6G5Xw5JW6FTJL9L1lu8 >. Acesso em 18.abr.2020.



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Matheus Viccola

É licenciado em História, com pós-graduação pela PUC-SP, professor na rede pública (Estadual e Municipal) de São Paulo, apaixonado por História e rock n’ roll. Eterno estudante de guitarra e, nas horas vagas, curte fazer uns bons covers com seus camaradas na Banda do Johnny.



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Acompanhem nossa comemoração durante o mês de julho e se você ainda não conhece nosso clipe da canção PLAYS OF DESTINY, assista aqui:




#StayHeavy e #GoAnfear

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